4# BRASIL 28.1.15

     4#1 O BLECAUTE DE DILMA
     4#2 A OFENSIVA DAS EMPREITEIRAS E A PRESSA DE JANOT
     4#3 REMDIO AMARGO
     4#4 O MINISTRO DO ESPORTE E O DELEGADO CAMARADA
     4#5 POR QUE ELES QUEREM TANTO ESSA CADEIRA
     4#6 AS PROMESSAS NO CUMPRIDAS DE HADDAD

4#1 O BLECAUTE DE DILMA
Falta de planejamento do governo, baixo investimento e falhas na transmisso provocam um apago que deixa trs milhes de brasileiros no escuro e trazem de volta ao Pas o fantasma do racionamento energtico 
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

Nos ltimos anos, tornou-se comum para os brasileiros conviver com sucessivas quedas de energia eltrica. Bairros, cidades e at regies do Pas ficavam no escuro e, em todas as ocasies, o governo alegava que eram problemas localizados, provocados por defeitos nas redes de distribuio. Essa desculpa deixou de valer no incio da tarde da segunda-feira 19. A partir das 14h55, a populao de 11 Estados ficou mais de uma hora no breu. Com o blecaute, linhas de metr deixaram de funcionar, o comrcio teve grandes prejuzos e, mais uma vez, o brasileiro perdeu a confiana no sistema energtico nacional. s pressas, o Planalto acionou os rgos do setor para explicar as razes do apago. Em entrevistas e notas divulgadas pela imprensa, apesar de alegarem que havia uma folga de gerao no Sistema Interligado Nacional, as autoridades reconheceram que o fenmeno foi provocado pelo alto consumo de energia, em decorrncia do uso em excesso de aparelhos de ar-condicionado, ligados para atenuar o calor sufocante do vero. Atriburam o problema tambm a falhas na transmisso de energia das regies Norte e Nordeste para a Sudeste. Em razo do pico de demanda, as usinas foram desligadas preventivamente para evitar um colapso do sistema.

CAMINHO ERRADO - Dilma apostou no investimento nas termeltricas. Agora, se v que a aposta deu errado. No supriu a demanda e ainda encareceu a energia

O desabastecimento de energia exps a realidade at ento encoberta pelo governo para evitar desgaste, principalmente, no perodo eleitoral. Relatrios de obras do Programa de Acelerao do Crescimento (PAC) e anlises tcnicas oficiais revelam as fragilidades energticas do Pas. De 2011 a 2014, o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) registrou mais de 180 lapsos de fornecimento em grande escala. No apago da semana passada, que afetou mais de trs milhes de pessoas, devido ao excesso de calor e das poucas chuvas, as usinas que abastecem as regies de maior consumo domstico e industrial simplesmente no tiveram musculatura para atender s necessidades do mercado brasileiro. Ou seja, a despeito da tentativa das autoridades de tentar tranquilizar a populao, atribuindo o ocorrido na segunda-feira 19 tambm a uma falha tcnica, resta evidente que o sistema energtico brasileiro opera hoje no limite de sua capacidade. Outra prova disso  que, no dia seguinte ao apago, o Brasil recebeu aporte de 998 megawatts da Companhia Administradora del Mercado Mayorista Elctrico, da Argentina, para abastecer as regies Sudeste e Centro-Oeste no horrio de pico, por volta das 15h.

VTIMA - Em razo do apago da semana passada, o metr de So Paulo chegou a parar. Diversas pessoas tiveram que ser levadas a centros mdicos

O governo no pode alegar que se surpreendeu com o aumento de consumo provocado pelos aparelhos de ar-condicionado neste vero. O consumo nacional de energia havia crescido 3,7% em 2014 e os sinais de que os reservatrios estavam com a capacidade reduzida j apareciam havia trs anos em relatrios dos especialistas da consultoria PSR. No final do ano passado, estudos indicavam que os consumidores residenciais e de comrcio precisariam reduzir em 6% os gastos de eletricidade, caso no quisessem conviver com eventos como os de segunda-feira 19. Em maio de 2014, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Eltrico (ONS) afirmou, no Encontro Nacional dos Agentes do Setor Eltrico (Enase), que se cogitava fazer um racionamento, mas a medida extrema esbarrava em um dilema. Existem dois riscos. O primeiro, de se precipitar e ter arrependimento. O outro, de no fazer e ter um problema mais srio no futuro, afirma Hermes Chipp. Mas a deciso de adiar medidas de gesto de consumo obedeceu a uma agenda poltica. s vsperas da eleio, o governo no ousou mexer no consumo de energia, porque sempre usou o racionamento de 2001, feito pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, como arma eleitoral contra os tucanos.  poca, os brasileiros que ultrapassassem o consumo mensal de 320 megawatts tiveram de pagar 50% a mais na tarifa. Atualmente, calcula-se em 1 mil megawatts o gasto mensal por famlia. O racionamento gerou prejuzo de mais de R$ 40 bilhes  economia.

A baixa dos reservatrios e o atraso nas obras de ampliao do sistema eltrico indicam que, em 2015, uma sada para se evitar novos apages pode ser a volta do racionamento de energia. As medidas de restrio, seja l que nome tenham, so inevitveis. Esta  a previso de Raimundo de Paula Batista, presidente da Enecel, empresa que comercializa energia. Se ns tivssemos no Pas uma economia aquecida, com mais demanda energtica da indstria, o quadro seria mais grave. Como um sistema com capacidade para 120 mil megawatts tem que cortar fornecimento por causa de 2,2 mil megawatts?  preciso orientar a populao, dar um choque de realidade, pois o apago vai acontecer outra vez, vaticina.

O Ministrio de Minas e Energia faz planos decenais de investimentos. Mas entraves burocrticos na cadeia de licenciamento ambiental e na execuo de grandes obras de infraestrutura levaram o governo a contar com as chuvas para adiar por mais um ano o fantasma da falta de energia eltrica. O ltimo balano do eixo de energia do PAC mostra que apenas 53% das obras de ampliao do sistema de gerao e transmisso foram entregues no prazo contratado. Oito hidreltricas em fase de construo podero aportar 18,8 mil megawatts ao sistema e as usinas elicas, outros 2,3 mil megawatts. Os projetos, porm, esto emperrados. A tendncia natural dos polticos  culpar a natureza, mas ns tcnicos sabemos que a natureza  cclica, no nos rendemos a essa tentao. No se trata apenas de uma horinha sem luz, a crise  sria, mas os polticos negam at a ltima hora, lamenta Rafael Herzberg, consultor da Interact Energia.

Em fevereiro de 2014, quando uma falha na rede de transmisso em Tocantins provocou um apago em 18 Estados, a situao dos reservatrios j no era boa. Mas o governo se blindou para evitar que a oposio no Congresso discutisse o problema. O Planalto tambm errou ao direcionar grandes investimentos para a matriz termeltrica. Essa foi a soluo encontrada por Dilma Rousseff em 2004, quando ela ainda era ministra de Minas e Energia. As termeltricas funcionam como um sistema de segurana para falhas ou para aporte do sistema hdrico. O modelo, no entanto, no conseguiu suprir a demanda e o alto preo da energia gerada ajudou a elevar a tarifa, impactando tambm os ndices de inflao e equilbrio do mercado. Em maio de 2013, Dilma desestabilizou o setor de energia. Na ocasio, a presidente editou um decreto que reduziu artificialmente o valor da tarifa eltrica. Como a energia termeltrica  muito mais cara, a medida gerou um rombo nas contas dos governos e nas finanas das empresas. S nos dois ltimos meses de 2014, as companhias do setor tiveram prejuzo de mais de R$ 3 bilhes para manter as tarifas em nveis mais baixos.

Ainda este ms, o governo anunciaria o incio de reajustes, que podem chegar a 40% at o final do ano, no custo da energia eltrica. A m notcia para os consumidores foi adiada aps o apago. Titular da Comisso de Minas e Energia da Cmara, o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) reclama que o Palcio do Planalto mobilizou sua base aliada para vetar, no ano passado, a convocao do ex-ministro Edison Lobo para falar de possibilidade de apago em 2015. Todo setor eltrico dizia que o apago aconteceria, mas o governo no queria falar disso no perodo das eleies. Assim como mudaram a meta de supervit na canetada, queriam fazer So Pedro mudar a meta de chuvas. Pode no ser agora, mas o aumento no preo da energia para os consumidores vai acontecer. Mesmo assim, nada indica que os brasileiros estaro livres de novos apages. 

Vamos atrair investimentos
O engenheiro eletricista Eduardo Braga, 54 anos, assumiu o Ministrio de Minas e Energia no dia 1 de janeiro e, logo na terceira semana, enfrentou uma crise no sistema energtico brasileiro. Nesta entrevista, ele fala sobre os problemas do setor e aposta na modernizao das redes de baixa tenso como uma das solues para o Pas.

ISTO  Chegamos ao limite do sistema energtico?
 Eduardo Braga  No. Ns estamos trabalhando em situaes extremas, com uma reserva de gua menor e menos chuva do que nos anos anteriores. O que aconteceu foi consequncia de um problema tcnico em uma rede de transmisso e foram feitos desligamentos preventivos.
ISTO  O sistema est preparado para um longo perodo de estiagem?
 Braga  Nosso sistema  bastante robusto e eficiente. Diferentemente de outros pases, o Brasil tem um Operador Nacional do Sistema Eltrico. Temos uma matriz energtica diversificada, com um preponderante papel da matriz hidrulica. Isso  bom, mas nos obriga a ter um sistema de trmicas de base para suportar longos perodos de estiagem. Os nossos estudos foram feitos at o ponto de referncia mais crtico pelo cenrio histrico. Se ultrapassarmos esse cenrio, correremos algum risco. 
ISTO  O que deve ser feito para evitar novos problemas? 
 Braga  Teremos alguns fatos novos, por exemplo, na matriz elica, na matriz foto-voltaica e de biomassa, que faro uma grande diferena na gerao distribuda na prxima dcada. Precisamos modernizar a nossa rede de baixa tenso, essa que passa na rua, e a iluminao pblica.
ISTO  O sr. afirmou que  necessrio construir um ambiente propcio aos negcios. O que significa isso?
 Braga   preciso dilogo com o setor privado, com o setor pblico e com os diferentes agentes reguladores para que haja um ambiente de confiana. Vamos buscar fontes de financiamento e atrair mais investimentos. Isso vai fazer com que possamos ter os leiles cada vez mais disputados, seja de distribuio de gerao, seja de novas tecnologias.


4#2 A OFENSIVA DAS EMPREITEIRAS E A PRESSA DE JANOT
Construtoras como a OAS comeam a recorrer  recuperao judicial e a envolver polticos e diretores da Petrobras no escndalo do Petrolo. Com isso, esperam manter contratos e levar a Lava Jato para o STF. O procurador reage acelerando as denncias 
Cludio Dantas Sequeira e Mrio Simas Filho

JANOT - Procurador-Geral refora a equipe para agilizar as denncias contra polticos

Desde a segunda-feira 19 credores da Construtora OAS tm sido recebidos em escritrios de advogados contratados pela empreiteira. O objetivo  buscar uma renegociao de dvida, em um procedimento conhecido como recuperao extrajudicial. Trata-se da primeira grande empreiteira citada na Operao Lava Jato a buscar acordos para evitar pedidos de falncia. A situao do caixa da empresa se deteriorou demais desde que a Petrobras parou de pagar aditivos feitos em vrios contratos, disse  ISTO um dos advogados que trabalham para a OAS.  provvel que nos prximos dias outras gigantes do setor envolvidas na Lava Jato sigam o mesmo caminho, juntando-se assim a empresas menores que j se encontram em processo de recuperao judicial ou de falncia. A Engevix, por exemplo,  alvo de processo de falncia na vara cvel de Barueri (SP) e estuda a venda de ativos. UTC e Mendes Jnior planejam enxugar drasticamente seus quadros. Na tera-feira 20, a Alumini Engenharia (ex-Alusa) entrou com pedido de recuperao judicial. A empresa, com contratos na Refinaria de Abreu e Lima e no Complexo Petroqumico do Rio, argumenta que deixou de receber R$ 1,2 bilho da Petrobras e que no tem como honrar compromissos que somam R$ 800 milhes.

ALMADA, da Engevix:  achaques foram feitos em nome do governo

Em maior ou menor escala, todas as empresas envolvidas na Operao Lava Jato tm passado por algum aperto financeiro, Mas a opo de buscar caminhos como os da recuperao judicial extrapola os problemas de caixa e faz parte de uma estratgia montada para apertar o governo. Depois de passar o Natal e o fim de ano na cadeia, os principais executivos das maiores empreiteiras do Pas resolveram partir para o ataque. Para isso atuam agora em duas frentes. Uma delas  tratada como econmica. Visa pressionar o Planalto buscando a manuteno dos contratos e a continuidade dos pagamentos. Segundo advogados ouvidos por ISTO, o governo teme a possibilidade de haver uma paralisia nas principais obras do Pas. Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, defendeu a manuteno dos contratos do governo com as construtoras. Para ele, a interrupo dos pagamentos e a desmobilizao das obras tende a provocar um prejuzo ainda maior. Vivemos um grande risco para o Pas. Esses contratos j foram implementados e so esses investimentos que esto permitindo que a curva de produo de petrleo da Petrobras esteja ascendente. Se no encontrarmos uma soluo jurdica que no interrompa o ritmo de investimento e de obras, o prejuzo ser gigantesco, disse Braga.

A outra frente da ofensiva dos empreiteiros se d no terreno jurdico. A estratgia agora  desmontar a tese do Ministrio Pblico Federal de que as construtoras se organizaram num cartel para saquear os cofres pblicos e que a Petrobras foi mera vtima do esquema. A defesa dos empreiteiros espera provar que a estatal  que impunha as regras para o fechamento de contratos, dentre elas a cobrana de propinas a serem distribudas entre dirigentes da companhia e polticos ligados ao PT e aos partidos que apoiam o governo. Na semana passada, o vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada, acusou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa de fazer achaques em nome de partido e do governo. Quem detinha contratos vigentes com a Petrobras sofreu o achaque, este sim, a fora criadora do elemento coletivo. Numa petio de 85 pginas, os advogados de Almada escreveram que os diretores da estatal foram cooptados para o objetivo ilegtimo de poder poltico. Segundo eles, o projeto poltico de manuteno dos partidos na base do governo colocou os empresrios, todos, na mesma situao, no por vontade, no por inteno, mas por contingncia dos fatos. De acordo com os advogados, Almada e os demais empreiteiros pecaram por no resistirem  presso realizada pelos porta-vozes de quem usou a Petrobras para obter vantagens indevidas para si e para outros bem mais importantes na Repblica Federativa do Brasil. Ainda de acordo com a defesa de Almada, o que Costa fazia era ameaar. Quem no pagasse, sofreria prejuzos. Dizia que levaria  falncia quem contrastasse seu poder, sinnimo da simbiose do poder econmico da megaempresa com o poder poltico do governo.

PAULO ROBERTO - Ex-diretor da Petrobras ameaava quebrar as empreiteiras

O objetivo dos empreiteiros  colocar empresrios, dirigentes polticos e diretores da Petrobras no mesmo balaio. Assim, acreditam, podero levar todo o processo para o STF e escapar das mos do juiz Srgio Moro. Para reagir aos empreiteiros, o procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot, procura, agora, acelerar as denncias contra os polticos envolvidos no esquema. O procurador acredita que uma vez abertos os processos no STF ser mais difcil unir as investigaes em uma nica corte. Carece de lgica processual que se mantenha em autos apartados, e instncias distintas, corruptos e corruptores de um mesmo crime, opina um ministro do Supremo. Para evitar que esse cenrio se consolide  que Janot anunciou, na tera-feira 20, a criao de uma fora-tarefa para investigar exclusivamente o envolvimento dos polticos no escndalo do Petrolo. A ideia dele  que o grupo, integrado por seis procuradores federais e dois promotores de Justia do Distrito Federal especializados em crime organizado, d celeridade ao inqurito. Caber  fora-tarefa analisar as delaes premiadas e provas documentais, pedir novas diligncias e sugerir a Janot providncias sobre os acusados. Ao dividir a responsabilidade com os oito integrantes dessa nova fora-tarefa, Janot tambm consegue livrar-se do peso de poupar na denncia determinados polticos em detrimento de outros.

Quebra de sigilo de Dirceu pode se estender ao Panam

NA MIRA - PF desconfia de abertura de filial da JD no Panam

Desfrutando do regime semiaberto desde novembro, o ex-ministro Jos Dirceu est de novo na mira da Justia por suspeita de envolvimento no esquema do Petrolo. Na semana passada, a juza substituta da 13 Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, determinou a quebra dos sigilos bancrio e fiscal de Dirceu. A medida foi decretada depois que a fora-tarefa da Lava Jato identificou que a JD Consultoria do ex-ministro recebeu mais de R$ 4,6 milhes das empreiteiras investigadas no esquema de desvio de recursos da Petrobras. De acordo com os documentos, entre 2009 e 2013, Dirceu embolsou R$ 2,3 milhes da UTC, R$ 725 mil da Galvo Engenharia e R$ 720 mil da OAS. Esses valores se somam a outros R$ 886 mil pagos pela Camargo Corra, segundo documentos apreendidos pela PF. A assessoria de Dirceu disse que prestou consultoria s empresas citadas para atuao em mercados externos, sobretudo na Amrica Latina e na Europa, sem qualquer relao com contratos na Petrobras sob investigao. A PF, porm, suspeita que tais documentos tenham servido como cobertura para o pagamento de propinas. Alm das transferncias bancrias, os investigadores desconfiam da abertura de uma filial da JD no Panam em 2008, um ano antes de comearem os pagamentos. O registro da empresa foi feito no escritrio Morgan & Morgan, onde tambm foi criada a Truston, dona do hotel St. Peter, em Braslia, administrado por um amigo de Dirceu e onde ele queria trabalhar como gerente, com salrio de R$ 20 mil. (C.D.S)


4#3 REMDIO AMARGO
Governo no esperou nem o fim do primeiro ms do ano para ampliar impostos, cortar benefcios e acabar com isenes para tentar ajustar as contas pblicas o mais rpido possvel
Luisa Purchio (luisapurchio@istoe.com.br)

TESOURA - Levy prepara novas medidas para ampliar ainda mais a arrecadao

Quando o engenheiro naval Joaquim Levy foi anunciado como o nome que iria substituir Guido Mantega no Ministrio da Fazenda, ficou claro que a presidente Dilma Rousseff estava disposta a tudo para ajustar as maltratadas contas pblicas brasileiras. Levy, 53 anos, no ganhara o apelido de Joaquim Mos de Tesoura durante sua primeira passagem pela Esplanada, no primeiro governo do ex-presidente Lula,  toa. Formado na mais ortodoxa das ortodoxas universidades americanas, a de Chicago, Joaquim Levy  um especialista em cortar custos e ampliar a arrecadao na base de impostos mais salgados. O que ningum esperava, no entanto,  que o novo ministro da Fazenda agiria de forma to aguda e to rpida quanto est atuando agora.

Por meio de medidas altamente impopulares, como aumento de impostos, reduo de incentivos fiscais e reativao de tributos sobre os combustveis (leia quadro na pgina ao lado), Levy j conseguiu em pouco mais de 20 dias garantir mais da metade dos recursos que prometeu economizar para este ano. A meta  obter um supervit primrio da ordem de R$ 66,3 bilhes, algo como 1,2% do PIB. Se todas as medidas adotadas neste ms de janeiro forem aprovadas pelo Congresso, o governo ter conseguido um aumento da arrecadao da ordem de R$ 45 bilhes.

Apesar de ter prometido que no lanaria mo de um pacote de maldades, as medidas anunciadas por Levy na segunda-feira 19 vo atingir em cheio o consumidor brasileiro de renda mdia. Ser essa parcela da populao, que necessita de crdito para consumir bens durveis e vive da receita de seu trabalho quem mais contribuir para que o governo consiga reequilibrar as contas. Como resultado, a tendncia  que esse remdio amargo que est sendo aplicado na economia brasileira cause, seno um perodo de recesso, ao menos um desaquecimento econmico. No curto prazo, as medidas deprimem o nvel de atividade econmica e h previso de aumento do desemprego, diz Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, que estima que o crescimento do Pas deva ser levemente positivo em 2015, com cerca de 0,5%. Os pequenos tomadores sero atingidos e haver piora na inadimplncia, diz Roberto Luis Troster, professor de economia da Fipe e ex-economista-chefe da Febraban.

Poucos dias depois de anunciar o aumento de 100% no IOF, a volta da Cide e um reajuste no imposto de produtos importados, Levy foi a Davos prestar contas aos investidores internacionais, arredios a investir no Brasil, o que est fazendo para, em suas prprias palavras, arrumar a casa. A economia brasileira deve ter um desempenho negativo no curto prazo, mas  preciso lembrar que o trabalho  feito para restaurar a confiana e retomar o crescimento com velocidade, disse ele a um grupo de investidores na cidade dos Alpes suos onde boa parte dos gestores da riqueza mundial se rene anualmente.

O choque fiscal de Levy, no entanto, tende a pressionar ainda mais a inflao, que encerrou 2014 no teto da meta de 6,5% e, tudo indica, corre srio risco de superar esse percentual em 2015. Com o aumento dos combustveis e de tributos que incidem diretamente sobre os preos administrados, a tendncia  de que a inflao atinja, s nos dois primeiros meses do ano, 2%. Para tentar cont-la, na quarta-feira o Comit de Poltica Econmica do Banco Central ampliou a taxa de juros pela terceira vez desde as eleies, elevando a Selic para 12,25%, o maior patamar desde 2011. Com juros mais altos, mais cara fica a dvida brasileira.

Ao que tudo indica, Levy ainda no est satisfeito com o que conseguiu at agora. Para quem o conhece, no h muita dvida. Mais medidas amargas esto a caminho. Como era esperado, vai se confirmando a previso de que 2015 ser um ano de profundos ajustes e difcil para a classe mdia brasileira. 


4#4 O MINISTRO DO ESPORTE E O DELEGADO CAMARADA
Entenda por que o processo contra o ministro George Hilton, flagrado com caixas de dinheiro em 2005, no avanou no STF. Para o Ministrio Pblico, o policial responsvel pelo caso, Domingos Pereira, praticou uma "condenvel camaradagem"
Izabelle Torres (izabelle@istoe.com.br)

RISO JUSTIFICVEL - O ministro do Esporte, George Hilton, escapou inclume do processo no STF graas  ao do delegado Domingos Pereira (abaixo), que no contou o dinheiro apreendido e nem sequer registrou ocorrncia

O novo ministro do Esporte, George Hilton, chegou ao primeiro escalo de Dilma Rousseff debaixo de uma enxurrada de crticas. O fato de ele no ser familiarizado com a rea que passou a comandar  o que ele mesmo admitiu em recente entrevista  foi a razo de uma das ressalvas feitas ao seu nome. A outra decorre de seu passado marcado por atitudes, no mnimo, questionveis. Em 2005, Hilton desembarcou de um jato particular no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, transportando 11 caixas de dinheiro. Detido pela polcia de Minas Gerais, o ento deputado pelo PFL escapou ileso do episdio, depois que o inqurito aberto contra ele foi arquivado no Supremo Tribunal Federal. Esse  o principal argumento usado pelo novo integrante do Ministrio de Dilma quando sua conduta tica  posta em xeque. Entretanto, o ministro omite que por trs da deciso do STF de livr-lo da punio h uma teia de manobras e trfico de influncia que inviabilizaram a apurao do caso pelo Ministrio Pblico Federal. O insucesso da investigao envolvendo George Hilton e suas caixas de dinheiro teve um personagem decisivo: o delegado federal Domingos Pereira Reis. Primeira autoridade a ser informada sobre o flagrante ocorrido no Aeroporto da Pampulha, o delegado Pereira foi bastante camarada com George Hilton.

A conduta do delegado  detalhadamente explicada em trs depoimentos que constam na ao analisada pelo STF. Em um deles, o agente de planto conta que, ao ser informado por telefone sobre a apreenso das caixas, Pereira mandou o oficial liberar George Hilton sem contar o dinheiro e sem sequer registrar a ocorrncia. O mais grave: segundo outra testemunha, o delegado se comunicou com o ento deputado estadual por telefone e avisou que o caso estava resolvido. O nico registro teria sido feito no livro da polcia, que apenas cita exemplos do que  declarado pelos passageiros. Hilton disse transportar R$ 600 mil e afirmou que o dinheiro pertencia  igreja da qual era pastor. Depois disso, deixou a delegacia sem constrangimentos. O episdio gerou um inqurito na Justia Federal de Minas, mas ficou paralisado por dois anos. Somente em 2007, quando o atual ministro tornou-se deputado federal e o processo chegou ao STF, a ao foi finalmente analisada.

Ao estudar a fundo o processo, o ento procurador-geral da Repblica, Antonio Fernando de Souza, concluiu que a atuao do delegado em favor de George Hilton invalidou qualquer possibilidade de apurao, tornando impossvel o registro e o recolhimento de provas. Segundo o procurador, a falta de registros e a liberao do interceptado sem depoimentos ou quaisquer explicaes formais impediram o trabalho do MP e da polcia em busca de respostas para a origem do dinheiro e o real valor transportado. Por isso, no houve como avanar nas investigaes e o processo foi arquivado. Antonio Fernando de Souza solicitou, no entanto, que a conduta do delegado federal fosse apurada em um processo paralelo e conseguiu dar novo flego s apuraes.

Atendendo  orientao da PGR, o Ministrio Pblico de Minas Gerais acusou Domingos Pereira de falta de interesse de agir no desempenho de sua funo pblica. Investigado, passou trs anos respondendo a um inqurito e tentando explicar o porqu de ter livrado o deputado. Segundo os procuradores, Pereira no conseguiu convencer o MP sobre a legalidade da sua conduta e tampouco encontrou amparo legal para justificar a omisso. Por isso, o MP o acusa de uma sequncia de atos que figuram a condenvel camaradagem entre um agente pblico e um poltico. O caso rendeu desgastes em srie para Domingos Pereira. Alm de perder o cargo, ficou anos sem desfrutar de qualquer prestgio na polcia, sendo criticado internamente por colegas e subordinados. Em 2009, ele solicitou aposentadoria. 

Segundo um dos procuradores ouvidos por ISTO, houve presso poltica para que o processo contra o delegado no tivesse um desfecho. O prprio deputado e atual ministro do Esporte, George Hilton, chegou a telefonar pessoalmente para duas testemunhas de acusao, convencendo-as a desistir de depor. O delegado Domingos Pereira, por sua vez, negou por oito vezes o envio aos procuradores das cpias do registro de ocorrncia que teria mandado fazer, e George Hilton ignorou trs intimaes para depor. Sem sucesso nas investidas em busca de provas e depoimentos, o Ministrio Pblico recorreu  Justia Federal mineira pedindo que juzes obrigassem as pessoas a testemunharem no processo, inclusive o prprio ministro George Hilton. Inexplicavelmente, o TRF decidiu no interferir e o processo contra o delegado se arrastou por anos, chegando a ser arquivado e desarquivado por duas ocasies. Em 2012, o MP finalmente desistiu do caso por falta de condies de atuar e produzir as provas. Foi a segunda vitria do atual ministro do Esporte para conseguir safar-se ileso das suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro e trfico de influncia. O episdio, porm, continua envolto em mistrio.


4#5 POR QUE ELES QUEREM TANTO ESSA CADEIRA
Em meio a suspeitas de armao, disputa pela presidncia da Cmara assume ares nada republicanos. Em jogo, um oramento de R$ 5 bilhes e um amplo poder de articulao poltica
Izabelle Torres (izabelle@istoe.com.br)

SEMANA DECISIVA - O deputado Eduardo Cunha (ao centro) permanece como favorito na disputa, mas o Planalto trabalha fortemente nos bastidores para eleger o petista Arlindo Chinaglia (primeiro  esq.). Jlio Delgado, apoiado pelo PSDB, tenta correr por fora

Nos ltimos dias, a disputa pelo comando da Cmara assumiu contornos de baixaria. Em meio  refrega, o candidato favorito, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que enfrenta Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Jlio Delgado (PSB-MG), insinuou que o PT e o governo estariam por trs de uma armao destinada a evitar sua ascenso ao posto  o segundo na linha sucessria do presidente da Repblica. A ideia seria envolv-lo em denncias e, assim, prejudicar sua campanha. Para sustentar sua tese, o peemedebista apresentou uma gravao contendo uma suposta conversa entre um aliado dele e o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, apontado pelas investigaes da Operao Lava Jato como colaborador do doleiro Alberto Youssef. Na conversa, ele  citado. A voz pausada, a linguagem formal dos interlocutores e algumas incongruncias no dilogo deram um ar de montagem  escuta feita pela PF, agora sob investigao. Sou vtima de alopragem mais uma vez, acusou.

Desde o incio da disputa, o governo nunca escondeu sua insatisfao com a eleio  presidncia da Casa do polmico e instvel Cunha  um poltico cujo lado em que se posiciona depende das convenincias polticas do momento. Desta vez, no entanto, a ser verdadeira a denncia do parlamentar, a jogada teria ultrapassado os limites republicanos. O af com que os candidatos se lanam na disputa  o prprio Cunha fez um priplo pelo Pas e uma srie de jantares para cabalar votos  e a contundncia com que os concorrentes agem para impedir os adversrios de alcanar o posto esto diretamente relacionados ao poder que a ascenso  principal cadeira da Cmara pode proporcionar ao eleito. A cadeira de presidente permite ao seu ocupante a rara possibilidade de negociar e dar cartas nos rumos polticos do Pas. A eleio  presidncia da Cmara representa a aquisio de um poder poltico instantneo, de benesses incontveis e a prerrogativa de administrar um oramento de R$ 5,2 bilhes, valor previsto para 2015. Verba nada desprezvel. O eleito tambm comandar 33 contratos com empresas terceirizadas, chefiar 16 mil servidores, ter direito a viver por dois anos na residncia oficial da Cmara e de ter um avio da Fora Area Brasileira (FAB)  disposio, alm de carros oficiais e seguranas exclusivos.

Tambm  relevante o poder de articulao que o presidente da Casa dispe. Por exemplo, quem for eleito no dia 1 de fevereiro ganha automaticamente o direito a dar a palavra final sobre a pauta de votaes. Pode at, se quiser, embora no seja o caso no momento, colocar em discusso os pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff que vm sendo apresentados pela oposio desde outubro e vetar projetos de interesse do governo, como a regulao da mdia. Da a preocupao do Planalto com o favoritismo de Cunha. No por acaso, na ltima semana o governo colocou sua tropa para trabalhar. Parlamentares foram procurados pelo governo para que votassem em Arlindo Chinaglia (PT-SP) em troca de cargos e de dilogo direto com o Planalto. Deputados confirmam nos bastidores as investidas, mas ningum trata o tema como extraordinrio, uma vez que trocar cargos por votos tornou-se prtica recorrente em todos os partidos. A diferena  apenas o barulho feito por quem sai em desvantagem no jogo do fisiologismo. No caso, Cunha. Do outro lado da trincheira, Chinaglia afirma que o candidato peemedebista se lanou na disputa por questes meramente pessoais, numa tentativa de chantagear o governo, tambm de olho em cargos e mais poder.  representante do poder econmico e dos prprios interesses, alfinetou Chinaglia. 

Enquanto os dois candidatos trocam farpas publicamente e viajam pelo Pas em jatinhos alugados especialmente para a busca de votos nos Estados, o deputado Julio Delgado (PSB-MG) se torna o fiel da balana. Para o candidato Chinaglia, a postura de Cunha durante o processo de campanha favorece sua aproximao com Delgado. J o candidato do PMDB e seus aliados acreditam que, em caso de segundo turno, a oposio migraria para ele. Estrategicamente, essa deciso faria mais sentido, uma vez que a oposio sabe que Cunha poderia dar muito mais dor de cabea ao Planalto do que Chinaglia. O consenso nos bastidores do Congresso  que dessa eleio pode depender o sucesso ou o fracasso do segundo mandato de Dilma Rousseff e o futuro do prprio PT. 


4#6 AS PROMESSAS NO CUMPRIDAS DE HADDAD
Aps dois anos de mandato, o prefeito de So Paulo no consegue cumprir nem 15% de seu programa de 123 metas e abandona as promessas de privilegiar uma gesto tcnica, nomeando polticos de olho na reeleio em 2016
Ludmilla Amaral (ludmilla@istoe.com.br)

S nas intenes - O prefeito Fernando Haddad s concluiu 16 das 123 metas at agora. At os projetos para a Educao, em tese sua especialidade, andam a passos lentos

Aps ser empossado, em 2013, o prefeito de So Paulo, Fernando Haddad (PT), desfiou um rosrio de promessas. A principal delas consistia em cumprir 123 metas at o fim do mandato. Outro objetivo era o de fazer uma gesto tcnica, na contramo da administrao do seu antecessor, Gilberto Kassab (PSD). Tudo o que foi dito h dois anos no passou de um protocolo de intenes. Passada metade de seu mandato, apenas 16 itens do programa de metas do petista foram concludos  13% do total. O privilgio a uma composio tcnica tambm ficou apenas na promessa. Orientado pelo ex-presidente Lula, Haddad j comea a montar o palanque para a campanha  reeleio em 2016. Incorporou ao seu secretariado o poltico Gabriel Chalita (Educao) e, na ltima semana, Eduardo Suplicy (Direitos Humanos) e Alexandre Padilha (Relaes Governamentais), numa ao que contrariou setores do prprio PT.

A nomeao de Chalita atende a uma reivindicao do PMDB e pode neutralizar uma eventual candidatura patrocinada pelo partido nas eleies municipais do prximo ano. Se garantir a adeso do PMDB, alm do apoio poltico da legenda, Haddad amplia o seu tempo na propaganda eleitoral na TV.  o desejo de aproximao para consolidao de um projeto, afirmou o prefeito durante a posse de Chalita. A aliana  parte de um interesse de somar foras, acrescentou. J os convites para Suplicy e Padilha ocuparem o primeiro escalo municipal seriam um gesto destinado a pacificar alas do prprio PT descontentes com a administrao at agora e que poderiam debandar na esteira da provvel sada de Marta Suplicy da legenda. Em outra estratgia meramente eleitoreira, Haddad contemplou um aliado do antigo desafeto, Gilberto Kassab, no Turismo. Trata-se de Marco Aurlio Cunha, do PSD. No dia 9, Haddad e Kassab se encontraram na sede da prefeitura. 

OPOSIO NO ATAQUE - A nica prioridade do prefeito do PT  "grafitar paredes e fazer ciclovias", diz o tucano Andrea Matarazzo 

Enquanto Haddad tenta se blindar politicamente, de olho nas eleies de 2016, seus projetos para a cidade andam a passos lentos. Das metas em andamento, 81 esto abaixo dos 50% de execuo. Em dezembro de 2014, Haddad j havia admitido deslizar para frente alguns dos objetivos divulgados para concluso at o fim do prximo ano. Nem os projetos para a Educao, setor que comandou no governo Lula, foram cumpridos. Dos seis objetivos traados para a rea, apenas um foi concludo, outro est com 69% em andamento e quatro abaixo dos 50%. Entre as metas com menor desempenho est a criao de creches. Haddad havia prometido construir 243 Centros de Educao Infantil (CEIs)  para crianas de 0 a 3 anos. Contudo, apenas 26 foram entregues, nove esto em construo e 49 em processo de licitao. O objetivo tambm era o de entregar 65 novas Escolas Municipais de Educao Infantil (Emeis), mas at agora apenas 16 foram concludas e oito esto em obras. A promessa de criao de 150 mil vagas no ensino infantil, um dos principais compromissos firmados por Haddad durante a campanha, tambm dificilmente ser alcanada. A prefeitura abriu at agora 33,5 mil vagas.

Na Sade, Haddad prometeu construir trs novos hospitais e reformar e construir 25 pronto-socorros, mas os hospitais ainda esto em processo de licitao e apenas uma unidade de pronto-socorro foi reformada, segundo dados do site oficial da prefeitura, Planeja Sampa. De acordo com a Secretaria de Comunicao de So Paulo, o site  atualizado de quatro em quatro meses e as informaes estariam defasadas, mas no especificou o que foi feito entre outubro de 2014 e janeiro de 2015. Em nota, a prefeitura informou ainda que a administrao deixou de aplicar cerca de R$ 2,5 bilhes em diversas aes planejadas para 2013 e 2014 em funo do impedimento para atualizar a Planta Genrica de Valores nos imveis da cidade, com impacto na arrecadao de IPTU, e do congelamento das tarifas de transporte. A bancada da oposio na Cmara dos Vereadores diz que a nica prioridade do prefeito do PT  grafitar paredes e fazer ciclovias. A prefeitura e o prefeito no tm prioridades. Ele fez esse plano de metas mais como cunho eleitoral do que como metas factveis. Ou seja, jogou para a torcida. Ele no conhece absolutamente a prefeitura, a equipe no tem condies de operacionalizar as coisas. Tudo isso mostra que a prioridade do prefeito  grafitar as paredes e fazer ciclovias.

E, na prefeitura, se voc no tiver objetivos claros e no monitorar os projetos, as coisas no acontecem, afirmou  ISTO o vereador Andrea Matarazzo (PSDB). No bastassem os problemas de execuo dos programas, Haddad arrumou uma maneira de empregar trs amigos do filho, Frederico. Recm-formados em direito, eles vo receber salrio de R$ 3,3 mil como assessores tcnicos da prefeitura. Alexandre Reblo Ferreira e Andr Correia Tredezini, dois dos nomeados, eram colegas de Frederico Haddad, 22 anos, na Faculdade de Direito da Universidade de So Paulo (USP). 

